História
Somos parte de uma família que nasceu em 1876, na Catalunha, graças a um homem de fé, seriamente preocupado pelos grandes problemas que afectavam a sociedade do seu tempo: diminuir tanto analfabetismo atendendo sobretudo o tão descuidado sexo feminino. A experiência de Teresa de Jesus inspirou santo Henrique de Ossó que passou a apostar nas capacidades de mulher e a abrir-lhes horizontes para além das quatro paredes da casa a que ela estava confinada...
A sua visita de apóstolo teresiano em 1883, a Portugal, provocou a primeira saída da fronteira espanhola: situou-se na Fraga, diocese de Viseu, em 1884, e, daí, outras presenças se seguiram: Torres Novas, Santa Cristina do Couto, S. Martinho do Campo (Santo Tirso)...
Em 1910, com a expulsão das ordens e congregações religiosas do País, surgiu o tempo da diáspora para este grupo, de teresianas, forte e cheio de pujança. Outras missões, noutros países, as chamaram. Um grupo de irmãs funda no Brasil. Aí, a nossa família, Companhia de Santa Teresa de Jesus, ganhou raízes para dar abundantes frutos que perduram.
Passados anos, algumas puderam atravessar de novo o Oceano em sentido inverso, regressando a Portugal.
Em 1924 regressámos, na clandestinidade ainda, fixando-nos em Elvas. Uma verdadeira aventura nascida do entusiasmo dos antigos alunos e alunas.
Foi o reinício de uma nova etapa, que, a pouco e pouco foi multiplicando as presenças: Braga, Portalegre, Coimbra, Porto...; vinculadas à Província Sagrado Coração, do Centro de Espanha.
Henrique de Ossó
Nasceu a 16 de Outubro de 1840, em Vinebre, Diocese de Tortosa e Província de Tarragona-Espanha.
Da mãe recebeu uma fé profunda e do pai um sentido prático e tenaz; uma herança que, unida à vocação inata de mestre, forjou alguns traços que configuram a sua personalidade.
Desde tenra idade, marcou-o o contacto com Teresa de Ávila, através das suas obras e dos frades carmelitas.
Um encontro que o levava a mergulhar na intimidade com Deus donde brotava a energia vital que o formava, deixando-se possuir pelo amor de Cristo.
Ser sacerdote foi a razão de ser da sua vida, que motivou toda a sua actividade apostólica e fez dele um lutador incansável.
Teresa de Jesus
Viveu no século XVI a grande euforia das descobertas. OUTROS MUNDOS, com outras raças e cores, faunas, floras e costumes diversos, ABREM HORIZONTES
Descendente de judeus, nasceu a 4 de Março de 1515 em Ávila - Espanha no seio de uma família cristã. Sentiu-se sempre muito querida e mimada. A mãe, apaixonada pela leitura, permitiu-lhe dispor dos livros que lhe alimentaram a fantasia e os grandes desejos:
Primeiro as vidas dos santos e dos mártires fizeram-na entrar em aventuras incríveis; depois as novelas e novas amizades, levaram-na a gostar das vaidades e a viver as primeiras paixões.
Espiritualidade e Missão
Ser "outras Teresas de Jesus", descobrindo-se habitadas e relacionando-se com a sua verdade profunda - a imagem de Deus gravada no seu centro. A repercussão desse trato de amizade gera acções de transformação: em si e no seu meio-ambiente, contribuindo para a renovação da sociedade.
Convocadas a:
- "promover os interesses de Jesus", para "restaurar n'Ele todas as coisas".
- "ser comunidades de discípulas".
- "aprender a conhecer e amar Jesus" e a "torná-lo conhecido e amado".
- recriar em si e na família teresiana a espiritualidade recebida.
- viver a fidelidade ao carisma e ao património espiritual de Henrique de Ossó.
"O nosso modo específico de evangelizar é ser educadoras: a educação é mediação carismática no nosso serviço do Reino. Educamos promovendo processos pessoais e comunitários de acordo com o itinerário teresianao para que as pessoas descubram o projecto de Deus nas suas vidas, desenvolvam as suas capacidades e sejam agentes de transformação social..." (Const.4, 29).
- mulheres consagradas à causa do evangelho.
- em fraternidades distribuídas pelo país de número e actividades variáveis.
- com a missão de educar no cuidado das relações humanizantes, simétricas de comunicação e encontro, na justiça, solidariedade, gratuidade, amor e celebração da vida.
Teresianas em Portugal
Os primeiros contactos com o nosso País foram feitos ainda em vida do Fundador, que viajou por duas vezes a Portugal.
A primeira fundação ocorreu em 1884, em terras beirãs e cresceu por Torres Novas, Porto e Santa Cristina do Couto e S. Martinho do Campo (SantoTirso). Em 1910, os republicanos expulsaram do País as Instituições Religiosas, pelo que as teresianas demandaram outras paragens: o Brasil foi destino de muitas e outras foram para Espanha e outros pontos do globo.
Regressaram a Portugal, em 1924, em semi-clandestinidade. O colégio Luso-Britânico de Elvas marcou o regresso, devido ao empenho do Arcebispo de Évora, que conhecera as teresianas em Torres Novas.
Em 1933 seguiu-se a fundação do colégio de Braga e, na Foz do Douro, uma obra social ligada à paróquia.
A guerra de Espanha, em 1936, fez regressar muitas Irmãs que ali permaneciam. Nessa altura, abriu-se o noviciado em Braga e as teresianas regressaram a Santo Tirso, por empenho de Antigas Alunas. No ano seguinte nasce a residência universitária de Coimbra.
Em 1941 abre-se a residência Universitária do Porto e o colégio com pré-escolar e primária.
Em 1945 Portugal adquire o estatuto de Província independente. Passados quatro anos, as teresianas Portuguesas levaram a sua missão evangelizadora a Angola.
A expansão no País obedeceu às necessidades e interesse de prelados e às possibilidades da jovem Província de Maria Imaculada, que deveria formar os seus membros para as exigências crescentes da educação, tarefa primordial a que se dedicaram.
Em 1965, as teresianas instalaram-se na capital, com uma residência universitária.
Nos anos setenta e sob o impulso renovador do II Concílio do Vaticano, a expansão deu-se em direcção a localidades mais pequenas e carentes de meios de evangelização. De cariz diferente do tradicional e com novo modo de se situarem, mais perto da gente, várias foram as zonas que puderam contar com o serviço apostólico das teresianas: umas foram encerradas, noutras mantêm-se a presença.

